A Rede de Mulheres da AMARC Brasil vem a público manifestar seu mais veemente repúdio aos ataques misóginos e desrespeitosos sofridos pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, durante audiência realizada no Senado Federal, nesta terça-feira.
Os episódios mais recentes de violência política de gênero, protagonizados por parlamentares que ultrapassaram os limites do debate democrático para promover ofensas pessoais e ataques à dignidade da ministra, são inaceitáveis e nos remetem a uma triste realidade: o ambiente político brasileiro ainda é profundamente hostil às mulheres que ousam ocupar posições de liderança e protagonismo.
As palavras da ministra após o episódio – “me senti agredida, mas saio fortalecida” e “ninguém vai dizer qual é o meu lugar” – ecoam como uma denúncia e, ao mesmo tempo, um ato de resistência. Sua trajetória, marcada por enfrentamentos firmes em defesa do meio ambiente e dos direitos humanos, é símbolo de coragem e coerência. E é justamente por isso que é constantemente atacada por setores que se incomodam com sua firmeza, sua história e, sobretudo, com sua condição de mulher negra em posição de poder.
Marina Silva foi alvo não apenas de divergências políticas, mas de tentativas claras de silenciamento e deslegitimação, em um contexto onde a crítica se desvia do conteúdo para atingir sua identidade de gênero e origem social. Essa violência simbólica tem nome: misoginia institucional. E não será naturalizada.
O que aconteceu no Senado não é um caso isolado, mas parte de um padrão sistêmico de violência política de gênero que se manifesta de diferentes formas – do ataque verbal à exclusão de espaços de decisão. Enquanto mulheres organizadas, comunicadoras populares e defensoras da liberdade de expressão, sabemos o quanto é necessário enfrentar essa estrutura para garantir um ambiente político verdadeiramente democrático e plural.
Expressamos nossa total solidariedade à ministra Marina Silva e a todas as mulheres que, em seus territórios e instâncias de poder, enfrentam cotidianamente a misoginia. Exigimos que os responsáveis por esses ataques sejam responsabilizados e que o Senado Federal adote medidas para coibir esse tipo de conduta.
Seguimos firmes e mobilizadas! O lugar das mulheres é onde elas quiserem estar – inclusive no centro das decisões que determinam o futuro do nosso país.
Rede de Mulheres da AMARC Brasil

